Contrato futuro de soja fortalece agro em tempos de safra recorde

Contrato futuro de soja fortalece agro em tempos de safra recorde

Se o agronegócio brasileiro, como um todo, já é destaque mundial, quando olhamos especificamente para a soja nacional, esse protagonismo fica ainda mais evidente. E isso vale para o presente e para o futuro. A estimativa para a safra 2022/23 é de uma produção de 152,4 milhões de toneladas de soja, um aumento de 21,3% em relação a 2021/22, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Se isso for confirmado, será um recorde.

Mas além da produtividade, a área plantada também está em expansão. Em 2023, os agricultores devem destinar ao plantio 42,89 milhões de hectares, um crescimento de 3,4% na comparação com a safra anterior e 56% superior ao visto há 10 anos. Esse aumento vem, em parte, da expectativa de que mais áreas de pastagem sejam convertidas em lavoura. Essa é uma tendência sustentável tanto para a pecuária, que vê potencial para investimento em confinamentos mais modernos, quanto para a agricultura, que ganha mais espaço. O resultado é aumento de volume, produtividade e redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Destaque ainda para as estimativas de exportações do grão, de 95,87 milhões de toneladas, um aumento de 22,5% em relação ao projetado para 2022. As vendas externas em alta são fruto da maior demanda global por alimentos. O Brasil é um dos poucos países, se não o único, capaz de aumentar a produção para suprir essa necessidade em todo o mundo. Atualmente, a estimativa é de que a produção nacional seja responsável por abastecer 1 bilhão de pessoas no planeta. Esse cenário fez com que o Brasil passasse de uma produção de soja praticamente inexistente, no início da década de 80, a líder de produção e exportação mundial. Ao observar todos esses dados, fica claro que estamos diante de grandes mudanças na cadeia global de soja, o que requer adaptações aos novos cenários.

Um exemplo disso é que, apesar de termos assumido o papel principal na produção do grão, faltavam ainda derivativos de precificação e gestão de risco locais. Historicamente, o preço da soja brasileira tinha correlação com o valor da tonelada da soja norte-americana. No entanto, a partir de 2018, com a guerra comercial entre EUA e China, houve um completo descolamento entre os preços.

Apesar dos valores, com o tempo, terem se reaproximado, uma quebra de confiança se estabeleceu. Neste cenário, não fazia mais sentido, conceitualmente, que a soja brasileira fosse precificada com base na produção e exportação do grão dos Estados Unidos. Em 2021, o Brasil, sozinho, respondeu por 50% das exportações da commodity do mundo. Por si só, a performance brasileira já é motivo suficiente para que exista um derivativo nacional.

São números que impressionam e ajudam a compreender como o agronegócio do país está em constante transformação. Há uma crescente evolução das práticas comerciais no Brasil e profissionalização dos participantes da cadeia de soja nacional. Soma-se a isso a alta volatilidade do mercado de capitais atual, ou seja, um cenário completamente diferente do que ocorria no passado.

Houve uma demanda maior para a B3, a bolsa do Brasil, se adequar às dinâmicas comerciais das mercadorias. Buscamos criar mecanismos para aproveitar essa conjuntura favorável e oferecer o que o agronegócio brasileiro precisava: uma opção para descoberta de preço e gestão de risco nacional. Procuramos um parceiro internacional para construir um contrato futuro de soja. O derivativo nasceu, no fim de 2021, de uma parceria entre a B3 e a CME Group, a bolsa de Chicago, maior bolsa de derivativos agropecuários do mundo.

O contrato tem por objetivo ser uma ferramenta para a gestão do risco de oscilação de preços, sendo adequado aos participantes do mercado nacional, como produtores rurais, cooperativas, revendas, cerealistas, tradings e indústrias. Entre as vantagens do contrato futuro, cabe destacar a proteção do produtor contra a volatilidade de preço (hedge) e a sazonalidade. O novo contrato também diminui o risco de base dos participantes brasileiros, desde que tenha a sua referência de preço em Santos, e não mais nos Estados Unidos.

Gestão de risco e competitividade

O mercado agrícola envolve riscos como o clima, a oscilação dos valores de insumos, a oferta e demanda de outras safras e mercadorias, além de outros fatores macroeconômicos e ambientais no Brasil e no exterior. Tudo isso influencia o preço. E essa gestão de riscos é, portanto, cada vez mais importante para participar desse mercado altamente competitivo. Acabou o tempo em que simplesmente plantar já era sinônimo de lucro.

Os derivativos são instrumentos de proteção contra a oscilação de preços, pois podem garantir uma margem entre seus custos e seu preço de venda. Já as opções funcionam como uma espécie de seguro, onde o investidor pode garantir um preço mínimo ou participar de uma alta de mercado. Corretoras e assessores de investimentos têm ajudado os produtores rurais a incluir esses instrumentos em suas estratégias de negócios. O produtor rural brasileiro é considerado um expert mundial em tecnologia e produtividade, mas ainda há oportunidades subaproveitadas quando falamos sobre estratégias de vendas mais sofisticadas, como as que utilizam derivativos.

O contrato da soja brasileira

O contrato futuro de soja tem como referência os preços da soja exportação no porto de Santos, em dólares, com base nas avaliações de preço da S&P Global Platts.

Esse contrato permite que seja realizada a liquidação financeira, ou seja, não há uma entrega física da mercadoria no porto, o que facilita a participação de pessoas físicas e produtores rurais na negociação do contrato. No dia do vencimento, é feito o ajuste final entre o preço da negociação histórica e a média do mês do vencimento. Dessa forma, só é movimentada a diferença entre os valores de cada lado da operação.

O contrato futuro de soja da B3 oferece maior acessibilidade e transparência dos preços de exportação em um cenário com poucas ferramentas de gestão de risco para a volatilidade do preço brasileiro.

capitaltimes

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